quinta-feira, 31 de maio de 2012

Vaticano: Desvios de dinheiro e verdades escondidas.

Conselho do Vaticano

Segundo a imprensa italiana, nesta segunda-feira (28), um cardeal pode ser a pessoa responsável pelo vazamento de documentos secretos da Santa Sé ao manipular Paolo Gabriele, o mordomo do Papa Bento 16 detido no dia 23 de maio, que seria apenas um executor.
Um cardeal guiou o ‘corvo’ (a pessoa que vazou os documentos)”, era a manchete do jornal romano Il Messaggero, enquanto o grande jornal milanês Corriere della Sera afirmou que havia “um cardeal entre os informantes anônimos”.
A guarda do Vaticano prendeu Gabriele e encontrou documentos confidenciais em sua casa, aproximadamente um mês depois da criação de uma comissão de investigação para esclarecer as indiscrições que desde janeiro afetam o pequeno Estado.
Um livro publicado há oito dias na Itália contém um número sem precedentes de documentos confidenciais sobre numerosos debates internos do Vaticano, como a situação fiscal da Igreja ou os escândalos de pedofilia dentro do movimento dos Legionários de Cristo.
Estes documentos revelam as disputas e rancores que existem entre diversos cardeais e autoridades, que acusam uns aos outros e depois recorrem ao papa para dirimir os conflitos.
Um dos informantes anônimos, interrogado pelo periódico La Repubblica, considera que a pessoa que organizou os vazamentos “atua em favor do papa”. ”O objetivo dos autores anônimos é revelar a corrupção que exise na Igreja nos últimos anos”, segundo a mesma fonte. ”Os verdadeiros cérebros são os cardeais. E depois há monsenhores, secretários e peixes menores”, acrescentou.
Bento 16 afirmou que "a verdade virá à tona”. Entre os infiltrados, “estão os que se opõem ao cardeal secretário de Estado Tarcisio Bertone, os que pensam que Bento 16 é muito fraco para dirigir a Igreja, e os que acham que é o momento oportuno para se destacar”, disse a mesma fonte anônima.
Segundo esta pessoa, citada pelo La Repubblica, o papa sentiu muito a destituição na última quinta-feira (24) do presidente do banco do Vaticano IOR, Ettore Gotti Tedeschi, a quem apreciava muito, até o ponto de começar a chorar, passando a reagir com raiva, dizendo que “a verdade virá à tona”.
Gotti Tedeschi foi destituído por sua gestão, mas também, segundo fontes vaticanas, porque havia divulgado fora da Santa Sé alguns documentos relativos ao banco.
Segundo os especialistas italianos em assuntos vaticanos citados pela imprensa, o mordomo Paolo Gabriele, um homem que sempre se mostrou muito apegado ao Papa, não parece ser capaz de organizar sozinho o vazamento coordenado de documentos, batizado de “Vatileaks”.
Como já foi noticiado pelo jornal O Globo, o departamento de estado americano já tinha colocado pela primeira vez o Vaticano na lista de países potencialmente suscetíveis à lavagem de dinheiro. Embora sua situação não tenha sido descrita como de alto risco, o menor Estado do mundo aparece junto a países como Polônia, Egito, Iêmen, Hungria e Vietnã na categoria "preocupação", a segunda numa escala que tem "maior preocupação" para os casos mais graves e "monitorados" para os menos sérios.
Apesar de recentemente ter estabelecido medidas contra a prática, o Vaticano entrou na lista por ser considerado pelo governo americano como um país vulnerável à lavagem de dinheiro. Ser considerada uma jurisdição de "preocupação" indica que o sistema financeiro está de alguma forma exposto à prática.
Em setembro de 2010, o Banco do Vaticano, criado pelo Papa Pio XII em 1942, foi investigado pela Justiça italiana por suspeita de lavagem de dinheiro. O Ministério Público italiano chegou a congelar 23 milhões de euros supostamente usados em transações irregulares. O banco sempre negou irregularidades e, apesar de o dinheiro ter sido desbloqueado no ano passado, a investigação continua.
A verdade virá à tona.







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